publicada na Tribuna do Norte (Natal/RN), em 27/12/2006
(se não conseguir visualizar as imagens, é só clicar no título!)
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Todo mundo sabe o que são os “paparazzi”: aqueles fotógrafos
indiscretos que perseguem gente famosa para fotografá-los em
situações de gente comum: comendo em restaurantes, dançando em
boates, embriagados nos fins de festa ou - como no recente caso
Cicarelli – indo além dos beijos e abraços.
Tudo começou em Roma, onde um desconhecido Tazio Secchiaroli iniciava-se em 1944 como fotógrafo. Progredindo na profissão, juntamente com um sócio já era dono em 1955 de uma agência, a Roma Press Fotos. No verão de 1958, a Cinecittá - onde eram rodados os filmes italianos que fizeram fama no mundo inteiro - estava cheia de produções e os astros e estrelas de Hollywood, quando não estavam filmando, caíam na gandaia na Via Veneto, que era o point da ferveção na capital italiana. Por lá perambulavam dezenas de fotógrafos, tentando conseguir um flash para vender às revistas, mas um deles logo se destacou: Tazio Secchiaroli começou a fazer fotos fora do convencional, que fizeram sucesso em jornais e revistas e inauguraram o estilo de fotos “d’azione” (de ação) ou “d’assalto”. Ava Gardner, David Niven, Gina Lollobrigida, Anita Ekberg, Cláudia Cardinale, todos foram alvo da câmera de Tazio. Em 1960, foi procurado pelo diretor de cinema Federico Fellini, que estava filmando “La Dolce Vita”, interessado em ouvir suas histórias e aventuras. E foi Fellini quem o apelidou de “paparazzo”, sobrenome de um personagem do filme, o fotógrafo indiscreto que acompanhava o jornalista representado por Marcello Mastroianni. Nasceu entre Tazio e Federico uma amizade onde havia uma troca de idéias: Secchiaroli sugeria cenas ao diretor, e com ele aprendia a lidar com as nuances de luz, tornando suas fotos cada vez mais sofisticadas. Passou a abandonar o trabalho nas ruas e a se especializar em fotografias sobre cinema. Utilizava o mesmo filme usado pelos diretores para que as fotos tivessem a exata textura do filme rodado. Fotografou Pasolini em “Medeia”, Visconti em “Rocco e Seus Irmãos”, Antonioni em “Blow-Up”, De Sica em “Girassóis da Rússia”, Ettore Scola em “Um dia Muito Especial”, entre muitos outros. O engraçado é que os atores que antes fugiam da sua câmera indiscreta, quando ele era apenas um simples caçador de imagens na Via Veneto, passaram a querer ser fotografados por ele. Sophia Loren e Marcello Mastroianni tinham-no como amigo e fotógrafo pessoal. Vi uma exposição desse maravilhoso fotógrafo em São Paulo, na Caixa Econômica da Paulista. Os amantes do cinema, como eu, ficam extasiados diante das fotografias em preto e branco de grandes ícones da tela, que transpiram uma poesia, uma intimidade, uma elegância e um toque de humor que somente seria possível a um grande artista que conseguisse estabelecer, com o fotografado, uma relação de cumplicidade e confiança. A exposição fica até 11 de fevereiro. Tazio Secchiaroli (1925-1998) deixa para os aficcionados do cinema e da fotografia um legado espetacular, um patrimônio de imagens que registram a época áurea do cinema italiano.
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As fotos foram colhidas na Internet, no site de divulgação da exposção.
Comentem! O endereço é clonews@digi.com.br
Tazio Secchiaroli, fotografado por Gina Lollobrigida |
![]() Brigitte Bardot ![]() Sophia Loren ![]() Federico Fellini ![]() Silvana Mangano
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