A Avenida Paulista - por Clotilde Tavares

publicada n' A União, em 20/12/2006

 

Tem momentos da vida em que a gente está estressado, cansado, enfarado da rotina. Aí nessas horas alguém chega e diz: “Dê um tempo! Tire uns dias e vá para uma praia descansar, longe dos telefones, do barulho, da confusão...” Eu já ouvi algumas vezes esse conselho e você também já deve ter ouvido o mesmo, meu caro leitor.

Pois bem: eu sou anormal. Se me colocarem numa praia paradisíaca, cercada de verdes coqueiros e lagunas azuis, eu agüento um dia no máximo. No outro, já quero movimento, edifícios, carros passando, buzinas, vitrines, luzes piscando... Fazer o quê? Sou urbana, citadina, e a natureza não me relaxa, apensar de ter efeito relaxante sobre noventa e nove por cento dos meus semelhantes.

É por isso que eu considero a Avenida Paulista o lugar mais interessante do mundo, - pelo menos do mundo que eu conheço, que não inclui Tóquio nem Nova Iorque. Lá estive na semana passada, deixando a poderosa vibração do cimento armado e do aço escovado invadir minhas células, deliciando-me nas livrarias, tomando litros de capuccino e café expresso, e vendo, ouvindo, provando, cheirando e pegando, numa verdadeira orgia dos meus sentidos intelectuais, com os sete buracos da minha cabeça literalmente entupidos de informação.

Nesta época do ano, a Avenida se enfeita para o Natal, e as grandes corporações, principalmente os bancos, disputam para ver quem faz melhor, mais bonito e com mais luzes. Vi coisas lindas e que faziam a maravilha da criançada, como uma vila inteira com temática natalina, cheia de Papais Noéis: um era músico, outro carpinteiro, outro cozinheiro, além de uma orquestra inteira de Papais Noéis animados, mexendo-se enquanto simulavam tocar músicas natalinas reproduzidas pelos alto-falantes.

Pessoalmente, acho decoração de Natal uma coisa meio brega; mas crianças e adultos estavam lá, maravilhados diante daquele mundo encantado, e foi o encantamento deles que me encantou. A Prefeitura de São Paulo mantém um passeio de ônibus, ao custo de seis reais, circulando por três horas no roteiro Jardins-Ibirapuera para ver as luzes. Eu não fui; mas dizem que é lindo.

No sábado, dia 16, houve um engarrafamento monstro na região da Paulista, pois todos os paulistanos saíram de casa para ver a decoração. Deu no que deu: trânsito parado, e a bandeira do caos desfraldada sobre a cidade.

O melhor de tudo foi um motorista de táxi alagoano, que me disse: “Venha visitar São Paulo em janeiro ou fevereiro, época em que a paulistada desce pra Santos e essa cidade fica vazia. A cidade é linda, o povo daqui é que estraga tudo...

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As fotos são minhas mesmo.

 

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Navegar é preciso, viver é preciso, tudo é preciso! O frevo também é preciso! E eu quero mais é aproveitar!


É noite na Paulista...


... apesar dos paulistanos dizerem que o tempo está "agradável", a nordestina aqui sofre com os dezenove graus.


Luzes e encanto na noite natalina de São Paulo.


Fotografei a garoa....


... que caiu sobre mim, como um orvalho prateado.