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CARO LEITOR, As fogueiras em Campina Grande estiveram mais acesas do que nunca este ano, mas não tinham nada a ver com o maior São João do Mundo. Desta vez, tratava-se de um ensaio de um Auto-de-Fé promovido pelos evangélicos na tentativa de acabar de vez com o homossexualismo na face da terra. Campina quase vira uma praça de guerra neste final de semana; e se os evangélicos levaram a pior nesse primeiro round, porque foram obrigados pela Justiça a retirar os out-doors que espalharam pela cidade combatendo o homossexualismo, prometem voltar à carga assim que se reorganizarem.
Eles dizem que não combatem os homossexuais, mas sim o homossexualismo, e que, assim fazendo, estão exercendo o direito constitucional de livre expressão. Veja a defesa evangélica no site da "Consciência cristã". Não por acaso, é aquele mesmo pessoal que diz que o Encontro ecumênico que se realiza em Campina Grande no Carnaval é "coisa do demônio". Quando à defesa dos homossexuais, não preciso recomendar site nenhum. Basta ter bom senso e praticar a virtude cristã da tolerância. E tolerância não é aceitar o outro simplesmente, porque isso é muito fácil. É aceitar o outro naquilo que ele tem de diferente de nós. SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO Os evangélicos dizem que se posicionam contra a prática do homossexualismo (e não contra os homossexuais), e que assim fazendo estão exercendo um direito constitucional, que é o direito de se expressarem livremente. Fiquei muito confusa com essa distinção que a igreja faz entre homossexualismo e homossexual. Ela não é contra o homossexual, mas é contra o homossexualismo? Como é que é? Quer dizer que eu posso ser, mas não posso dizer que sou, nem praticar, nem falar sobre isso? Continuar no armário? Aí eu, que não sou entendida em Direito Constitucional, nem sou advogada, nem jurista, fiquei aqui matutando como é que uma entidade, ou religião, ou o que seja, pode ser contra algo que existe desde que o mundo é mundo e que não está sob o controle de quem manifesta, ou quer manifestar, esse algo, se é que vocês me entendem. É como, por exemplo, alguém ser contra a condição "ter olhos azuis" embora não seja contra as pessoas que têm olhos azuis. Eu não sou heterossexual por escolha. Eu não escolhi ser hetero. Eu simplesmente sou assim, sinto assim. Se eu fosse homossexual, ou melhor, lésbica, minha vida seria muito mais animada pois, na minha idade (59), apesar de ser difícil arranjar parceiros masculinos, é bem mais fácil arranjar parceiras do mesmo sexo, jovens, bonitas e agradáveis. Mas sou heterossexual, e já cheguei até a lamentar isso mais de uma vez, porque não consigo me engraçar com nenhuma garota ou mulher da minha idade. Aí, suponhamos que alguém, ou alguma religião, ou entidade, ou o que seja, comece a ser contra o heterossexualismo, mas não contra os heterossexuais. Aí, eu vou poder continuar sendo, mas não vou mais poder dizer que sou? E vou ter que namorar mulheres mesmo que eu esteja doidinha pra namorar homens? E só vou poder namorar homens escondido? É isso? Eita, que essa questão deu um tilt na minha cabeça.
E PRA CONTINUAR NO TEMA... ... lembrei daquela história onde houve um acidente de carro e todos os gays que iam no veículo morreram, menos um. A criatura então pensou que aquilo era um aviso de Deus, dando uma oportunidade para ele se redimir. Aí, arranjou uma noiva e se casou. Depois de anos naquela situação horrível, tendo que transar com aquela mulher toda noite mesmo que todo o seu corpo e vontade quisesse o contrário, o nosso amigo morreu. Ao chegar no céu, qual não foi o seu espanto quando viu todos os amigos que haviam morrido no acidente, lindos e sorridentes em cima de uma nuvenzinha lilás, a cantar para ele, com olhares de deboche: "...nem era pecado, ...nem era pecado ...nem era pecado..."E AGORA DANOU-SE! Está difícil de sair do tema, que é bom e gostoso falar de sexo e sacanagem. Então, apresento aos leitores do Umas & Outras esse texto de autor desconhecido, que conta A HISTÓRIA DA XOXOTA. Sete bons homens de fino
saber
HAGIOLÓGIO Não sou católica, mas adoro os santos. E hoje é Dia de São João, do São João do Carneirinho. Não o bíblico João, bravo e ameaçador, batizador de Cristo. Mas o maturador das douradas espigas, o deus da colheita e da fertilidade. Viva São João!
Uma espiga de milho, fálica como convém a esta edição pan-sexual. NIVER DE GUY Amanhã, segunda-feira, 25, o fotógrafo Guy Joseph comemora 60 anos de idade. Esta data também marca o início da sua exposição fotográfica que ficará aberta aos visitantes de segunda a sexta, do meio-dia às 18h, no Casarão dos Azulejos. A celebração do aniversário do fotógrafo será estendida até o dia 2 de julho, data em que a exposição sai de cartaz. E na própria segunda, ou seja amanhã, depois da abertura da exposição, os amigos de Guy Joseph irão até o Parahyba Café onde, abrigados no seio carinhoso de Bob Zaccara, se reunirão para louvar o novo sex-agenário. Guy Joseph só inventa essas festas quando eu estou em Campina. Aí depois fica me enchendo o saco porque eu não apareço. É dose! Parabéns, amigo! (A foto é minha.)
MAYANNA NEIVA: EU CANTEI ESSA PEDRA Da minissérie A Pedra do Reino me ficou uma imagem poderosa: a bela e talentosa Mayanna Neiva, que conseguiu sobreviver dramaticamente à exposição quase gratuita de peitos e bocas com a qual o seu papel na série foi recheado. Em março de 2003 eu vi Mayanna no palco do Teatro Severino Cabral, em Campina Grande, na peça Hello Boy, texto do paulista Roberto Gil Camargo e direção de Isaú Firmino, onde registrei, através desse mesmo Umas & Outras, na sua edição de 6 de abril daquele ano, "... a juventude, beleza sem par e extrema competência em cena de Netto Ribeiro (21 anos) e Mayana Neiva (19 anos), que encarnaram os personagens principais. Mayana é uma bela mulher; faz a professora quarentona de forma teatral mas sem caricatura e a sua beleza não é usada em cena, em nada interferindo na avaliação do seu desempenho teatral. (..) "
Mayanna é linda, daquela lindeza estranha e desconforme que todo diretor de teatro adora e sabe reconhecer à primeira vista. Além disso ela tem um ingrediente raro e indispensável para quem aspira ao palco, que é a fé cênica, o fogo sagrado que emana do centro energético do ator e faz com que ele brilhe com luz própria no tablado, pelo simples ato de estar ali. Declaro-me fã absoluta dessa menina, e desejo-lhe o sucesso que sua beleza e talento prometem. DE NOVO O ASSUNTO DE SEXO A notícia é velha, mas engraçada.
Uma galinha na qual nasceram crista e cauda e
que começou a cantar como galo causou estragos em um galinheiro na Suécia. O
galo de verdade, Henrique 8º, começou a apresentar sinais de loucura.
"Henrique 8º está muito chateado. As outras galinhas estão surpresas, mas parece que estão aceitando a galinha transexual", explicou a dona do galinheiro, Christel Hammar-Malmgren, segundo o jornal "Blekinge Laens Tidning". Hammar-Malmgren acordou numa manhã de julho com o canto de dois galos, em vez
de um. Surpresa, correu para o galinheiro e descobriu que uma de suas galinhas
pretas, Anne Boleyn, havia sofrido uma transformação.A galinha "transexual" chegou ao galinheiro há um ano e, desde o princípio, apresentou comportamento diferente das outras. Não se interessava pelas atividades típicas de uma galinha e punha ovos de má qualidade, segundo a dona. Apesar da mudança repentina de sexo, a proprietária garante que não tem a intenção de acabar com a vida de Anne Boleyn antes da hora.
Confira na
Folha Online.
MUDARIA O SÃO JOÃO OU MUDEI EU? Atualmente está muito em voga uma nova forma de expressão junina, a quadrilha estilizada, que não é uma quadrilha matuta, mas um grupo de dança que tem uma coreografia própria, com passos criados exclusivamente para a música escolhida, como num corpo de balé. O grupo incorpora alguns personagens como Lampião, Maria Bonita, vaqueiros, espanholas e ciganos. Os seus trajes lembram roupas típicas do folclore dos pampas gaúchos, de uma escola de samba ou o faroeste americano.
Não parece uma escola de samba? Chamar este tipo de espetáculo de “quadrilha junina” e dizer que ele “preserva nossas tradições culturais”, como tem sido feito pela mídia, é exagero e falta de informação. Estas quadrilhas são simplesmente uma estilização bela e luxuosa mas artificial das verdadeiras quadrilhas juninas originais. Estas, dançadas nos salões das casas grandes de fazenda ou nas humildes palhoças dos sítios, em ocasiões festivas como casamentos, batizados e outras, eram comuns nos séculos XVIII, XIX e primeira metade do século XX e copiavam, à maneira simples do nordestino, a quadrilha francesa dançada nos salões europeus da época. “Alavantu” é “en avant tous”, que quer dizer “todos à frente” e “anarriê” quer dizer “en arrière” , “para trás”, em francês.
Essa é junina autêntica, matuta. Com a modernização e a entrada do Nordeste no século XX, com estradas, rádio e outros hábitos que foram incorporados à vida da região, as quadrilhas originais foram aos poucos deixando de existir e passaram a ser dançadas apenas no São João, acompanhando uma encenação mais ou menos improvisada de um casamento matuto. É um resquício, uma “sobrevivência”, como dizem os folcloristas, de algo que não existe mais na sua forma original. Em toda festa de São João, não importa o tamanho e a quantidade de pessoas, sempre se dança uma quadrilha, que é tanto mais divertida quanto mais improvisada.
Nas escolas, felizmente ainda se mantém a tradição da quadrilha matuta. As tais quadrilhas estilizadas surgiram há mais ou menos uns quinze ou vinte anos e apareceram primeiro, se não me engano, no programa da Xuxa, como parte das coreografias que eram apresentadas naquele programa. O que saía na Xuxa o Brasil copiava, e a rede globo estimulava, e foi isso que aconteceu. Da mesma forma que os Carnavais fora de época e os Rodeios e Vaquejadas atuais, essas quadrilhas não têm muito a ver com a tradição original e são eventos fabricados para atender a uma necessidade de diversão de um segmento da população e para dar lucro aos empresários do setor. Um negócio, como outro qualquer.
Pensam que me enganei com a foto? Não: isso é mesmo uma quadrilha de São João, das tais estilizadas. Nada contra. Mas é preciso que seja feito esse esclarecimento para que tanto as pessoas de fora do Nordeste quanto as novas gerações, que não conhecem a origem da tradição, saibam a respeito daquilo que estão fazendo e vendo. Os organizadores e eu incluo aqui as Secretarias e Fundações Culturais dos municípios, se querem realmente preservar as tradições nordestinas, poderiam mudar o nome do evento para outro qualquer que não causasse confusão e interpretações errôneas nas cabeças das pessoas.
Imagine só se um turista chega aqui e
assiste essa quadrilha estilizada: vai pensar que está no Texas, ou nos
pampas gaúchos, e não no Nordeste. E TEM MAIS! Não sei se tem isso também em outros lugares, mas nesta semana fui apresentada aqui na Paraíba a "um novo tipo" de tradição popular: a "cantoria de cordel", anunciada como parte da programação do São João realizado no Centro Histórico pela Prefeitura de João Pessoa. Como estranhei a expressão em e-mail enviado para algumas listas de discussão, recebi de Francisco Diniz um e-mail, que explica o significado: "... Faço uma interpretação do vocábulo cantoria como o faz o próprio povo, ou seja, uma e/ou mais pessoas cantarem uma música, uma história em versos ou uma poesia num espaço de tempo que geralmente não é tão pequeno. Não é de improviso, pode ser decorado, pode ser lido, mas cantado". O missivista, que coordena uma atividade de literatura de cordel dentro do São João promovido pela Prefeitura de João Pessoa, depois de citar Mark Curran e Ariano Suassuna, reduziu esta sua cronista e pesquisadora a sub-nitrato de pó-de-peido quando completou a explicação sobre o recém-criado conceito: (Quando falamos em)... "cantoria de cordel, queremos dizer que não se trata de algo consagrado pela mídia ou pela academia nem muito menos queremos anunciar um novo tempo do cordel, queremos apenas reforçar: cantoria de cordel é o ato de cantar um folheto em uma melodia qualquer de violeiro repentista, mulher rendeira ou outra cantada pelos mais experimentados, claro, de acordo com a estrofe escrita: principalmente sextilha ou setilha, as mais usadas, mas pode ser numa quadra, decassílabo, quadrão, enfim, qualquer estrofe." E quem sou eu, meus queridos, para duvidar de tão douta e abalizada explicação? LINKS INTELIGENTES Como a melhor coisa desse São João foi ficar em casa vendo TV, para não esbarrar com quadrilhas estilizadas ou cantorias de cordel, seguem alguns links: Para a programação da TV a cabo: http://tudonoar.uol.com.br/tudonoar/gradeProgramacao.aspx Para ver os resumos dos episódios das suas séries preferidas: http://www.guiadeepisodios.com.br/ Para ver notícias e fofocas sobre as séries: http://seriesonline.terra.com.br/noticias/index.html MARIA EDUARDA, MINHA SOBRINHA-NETA
ESTOU... ...
OUVINDO o estouro das bombas no
pé do muro do meu prédio.
LINK PARA OS BOLETINS E CRÔNICAS ANTERIORES
E POR HOJE... A QUEM INTERESSAR POSSA O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e anárquico como este. Se não
quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade
continua a mesma.
Clotilde Tavares
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