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CARO LEITOR, Para fazer de conta que o Umas & Outras é um periódico, esta edição, que sai hoje, dia 30 de julho, segunda-feira, vem com a data de 22/07/2007; e a edição que deveria ter saído ontem, e não saiu, deve sair no meio da semana, quarta ou quinta, com a data de ontem, dia 29. Se você não entendeu, não se avexe: leia e desfrute das idéias, fotos, informações e bobagens constantes deste meu/seu/nosso anárquico e saltitante informativo, que hoje está com um toque barroco/eclético pelas igrejinhas que o ilustram. Todas as fotos são minhas. GOIÁS VELHO-GO
CIDADE DO BARULHO O barulho que impera nas noites da cidade tem sido um dos temas mais freqüentes na coluna de Rubens Nóbrega, no Correio da Paraíba, de onde tirei emprestado o título para este tópico. Ele fala de um casal que veio morar na Paraíba em busca de tranqüilidade e que, depois de quatro anos morando no Bessa, não agüentou e está de malas arrumadas para deixar o estado. Na minha vizinhança tem um camarada que quando resolve fazer uma farra, a vizinhança inteira tem que compartilhar. Ele mora numa rua atrás de vários edifícios, incluindo o meu. Devem ser cerca de 150 apartamentos (só no meu prédio são 48) incomodados a noite inteira pelo barulho representado não somente pelo som nas alturas, mas também pelos berros dos convidados, que ficam na calçada tentando conversar acima do som ensurdecedor. Uma noite dessas um outro, chateado provavelmente por um fora da namorada, estacionou um carro na esquina e ligou o equipamento de som que tocou durante duas horas a mesma música, onde ele pedia insistentemente à amada para voltar. No meu prédio, no sábado e domingo, as famílias descem à piscina com suas crianças, ou são os adolescentes que encontram suas turmas, com a presença indispensável do famigerado equipamento de som. Todos os 48 apartamentos compartilham as músicas, que sugerem freqüentar o cabaré, mamar nos peitos da cabritinha, pegar na bochechinha e outras amenidades, além de instruções sobre como aumentar o volume do som. Abaixo, uma amostra de algumas letras:
"...É hoje que eu chego em casa liso
"... E o no meu carro tem um som que é famoso o
pancadão
"... Aumenta o som do carro SÃO JOÃO DO CARIR-PB
UM MUNDO CHEIO DE SOM E FÚRIA Uma coisa curiosa, para a qual o jornalista Rubens Nóbrega também chama atenção é que, se os barulhentos estiverem bebendo e fazendo confusão (e eles sempre estão) deixa de ser assunto da Secretaria do Meio Ambiente e passa a ser da alçada da Polícia que nunca pode vir atender esse tipos de ocorrência porque há coisas mais graves acontecendo na cidade. Aí eu fico assim pensando: se eu comprar uma arma e atirar num barulhento desses aqui da janela do meu prédio, vira um crime, não é? E a polícia vem atender, não é? Talvez seja uma boa idéia... Não, não! Não estou pensando em atirar, não, mas em telefonar dizendo que perdi a paciência e atirei, que estou muito nervosa e que tem um morto na calçada... Talvez assim eles venham. JOÃO PESSOA-PB
ESQUISITICES DE ESCRITORES Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta. Hemingway também colocava a máquina de escrever numa prateleira da estante. Pedro Nava aparafusava os móveis de sua casa a fim que ninguém os tirasse do lugar. Nilo Tavares (meu pai) colava os pés da mesa no chão com Araldite, pelo mesmo motivo. Gilberto Freyre não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas. Aluísio de Azevedo, antes de escrever seus romances, desenhava e pintava, sobre papelão, as personagens principais, mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia. Carlos Drummond de Andrade imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém nunca notou. Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação final. Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do escritor. Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos. Mário de Andrade provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava em vão. O escritor era homossexual.
Jorge Amado
para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel
principal fosse dado a Sônia Braga. "Por quê?", perguntavam os jornalistas,
Jorge respondeu: "O motivo é simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de
boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se
levantou e, muito formal disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois
nem se conheciam até então.
MONTEIRO-PB
FESTIVAL DO SOL Tudo pronto para o maior evento do rock independente realizado em Natal. No próximo final de semana, sexta, sábado e domingo, ou seja, 3 4 e 5 de agosto. Recomendo o show do Matanza. Veja quem vem em http://www.festivaldosol.com/ PATOS-PB
EXPLICAÇÕES "O descaso com Congonhas é porque temos um presidente que sempre esteve muito ocupado em Vira-Copos." Outra: "Finalmente chegaram a uma conclusão sobre o acidente da TAM. Foi falha humana de 60 milhões de eleitores". Foi o que li na Internet. JOÃO PESSOA-PB
SENTAR NO FUNDO DO AVIÃO É MAIS SEGURO? Ao sentar-se no fundo do avião você tem
que agüentar o barulho, o banheiro e lembrar que será o último passageiro a sair
da aeronave. Mas se você sentar nas últimas fileiras, você está mais seguro
em
caso de acidente? Li esse negócio em http://groups.tecnocientista.info/capa.asp AFOGADOS DA INGAZEIRA
A MORTE DO SENADOR Um senador morre e ao chegar no Céu, São Pedro diz que tem ordens superiores e que vai dar a ele o direito de escolher entre o Céu e o Inferno. Então, ele é encaminhado para o reino das trevas e , ao abrir-se a porta, vê um espetacular campo de golfe, tendo ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado, todos muito felizes, em traje social. Passam horas se divertindo, bebendo e lembrando os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora e visitar o Paraíso para poder escolher entre ambos. No Paraíso, o senador passa vinte e quatro horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Na hora da escolha, ele nem vacila: escolhe o Inferno. Ao voltar para lá, ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Não há bebida, todo mundo está rasgadas e sujo, há moscas, ratos, uma fedentina e ele começa a sentir fome. O diabo vai ao seu encontro e pergunta se há algum problema. - Não estou entendendo, - diz o senador. - Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados! O diabo explica: - Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto. PESQUEIRA
A CAETANA LEVOU BERGMAN Morre, aos 89 anos, Ingmar Bergman, autor de tantas obras magistrais e fundamentais para o cinema. Há tempos que não vejo um filme dele, mas o que mais gosto é A Fonte da Donzela. É bonito, ter uma vida onde se construiu uma obra assim. GOIÁS VELHO
ANACORETA URBANA Sou eu nesses últimos dias. Vendo a cidade de longe, e pela TV. Tenho saído pouco, enfronhada nos meus escritos genealógicos. Mas eu gosto! NATAL-RN
VESTIDO DE GALINHA
Um homem
foi condenado a se vestir de galinha e sair na rua fazendo propaganda contra um
famoso bordel americano.
http://noticias. JOÃO PESSOA-PB
PORTA-RETRATOS
CLOTILDE PEREIRA TAVARES (1886-1979), minha avó paterna. Nascida em Maceió, veio com a família para Recife em 1918. Teve 11 filhos, e toda a vida dedicou-se ao lar. Mesmo assim, lia, fazia versos, tocava violão, discutia sobre temas atuais e gostava de futebol. Exímia crocheteira, com ela aprendi a arte. Na foto, está com 25 anos. ESTOU... ...
OUVINDO mal, escutando pior e
entendendo menos ainda.
LINK PARA OS BOLETINS E CRÔNICAS ANTERIORES
E POR HOJE... A QUEM INTERESSAR POSSA O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e anárquico como este. Se não
quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade
continua a mesma.
Clotilde Tavares
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