UMAS & OUTRAS / João Pessoa - PB Escrito e enviado por Clotilde Tavares 21 de janeiro de 2007 - Domingo |
| CARO
LEITOR,
Para mim, uma das coisas que mais denota o grau de civilização de uma sociedade, civilização no sentido de oposição à barbárie, não são os avanços tecnológicos, nem coisa parecida. Um povo é civilizado quando ele procede de modo a elevar a qualidade de vida de onde ele vive, considerando sempre o bem estar alheio antes dos seus próprios desejos. Nesse sentido, moro num bairro que é uma verdadeira selva, principalmente neste sábado, 20 de janeiro, quando são exatamente 15:05 da tarde. Em frente ao meu prédio há um Clube, que deve ser de Oficiais do Exército pois é contíguo à Vila dos Oficiais, com suas casas brancas e todas iguais, que descortino daqui do meu oitavo andar em Tambauzinho. Há uns quarenta minutos começou uma festa nesse clube, com um grupo de pagode tocando e fazendo uma barulheira tão infernal que não pude continuar assistindo o filme que estava vendo na TV, nem posso telefonar, nem falar no MSN, nem nada, com a dose letal de decibéis que entra pelas minhas janelas e que não posso fechar porque senão morro de calor; e mesmo se fechasse - já fiz a experiência - a vedação é precária e a barulheira continua entrando. Fazer o quê? Me queixar a quem? À Polícia? E ela vai se meter lá com o Exército, que é quem patrocina a barulheira? Ao Poder Público? Num dia de sábado? Devem estar todos em Camboinha, ou seja lá onde for que políticos e funcionários públicos que resolvem as coisas passam o verão. Mesmo assim liguei, para a SUDEMA. O 0800-2819218, o 3218-9202 (que saíram publicados no jornal um dias desses) e mais os 3241-8712 e 3218-5591 que encontrei no catálogo telefônico. Nenhum desses números atendeu. A faxineira comentou: "Vixe! Eu pensei que era só onde os pobre mora que tinha essa cachorrada! Ô zuada da mulesta!" Expliquei a ela que os da minha vizinhança também são pobres, de uma forma cruel e sem remédio: pobres de espírito, pobres de educação, pobres de cidadania. Terei que sair de casa daqui a pouco, caro leitor. O barulho ensurdecedor é danoso para o equilíbrio mental da damas de meia-idade como eu. Como não tenho a quem reclamar, o jeito é deixar o computador, a poltrona, a TV e ir perambular por aí, quando gostaria de estar escrevendo ou lendo. Estou mergulhada na mais profunda impotência, diante da barbárie que impera na minha querida Parahyba, procedente de quem devia evitá-la e zelar para que o bem estar público não fosse ameaçado ou violentado. PARA ALIVIAR... AS AMIGAS DA MULHER: A esposa passou a noite toda fora de casa. Na manhã seguinte, explicou ao marido que tinha dormido na casa da melhor amiga, mas esqueceu de dizer seu nome. O marido telefonou então para dez das suas melhores amigas, mas nenhuma delas confirmou o fato. OS AMIGOS DO HOMEM: O marido passou a noite toda fora de casa. Na
manhã seguinte, explicou à esposa que tinha dormido na casa do seu melhor amigo,
mas também esqueceu de dizer seu nome. O esposa telefonou então para dez dos
melhores amigos do marido. Cinco deles confirmaram que ele tinha passado a noite
lá; os cinco restantes, além de confirmarem, ainda garantiram que ele ainda
estava lá. Continuo assistindo a série. Acho meio devagar, principalmente o núcleo político, que deveria ser o motor da série e que é fraquíssimo, em conteúdo e em dramaturgia. Também fico muito penalizada de ver a outrora bela Vera Fischer perdendo a batalha contra a decrepitude. A fanada diva, excessivamente magra e bronzeada de um jeito artificial e esquisito, tem horas que parece um esqueleto portando duas bolotas de silicone. Mas Débora Bloch, com aqueles vestidos brancos de rendas e transparências é uma visão divina. Faz gosto vê-la em cena.
Do outro lado do espectro, ou seja, saindo das estrelas e entrando nas
atrizes, registro Luci Pereira, nossa querida conterrânea que vimos
tantas vezes em "Machos", "Fêmeas" e outros sucessos do teatro paraibano. Para
quem não lembra, ela é a empregada do Coronel Firmino, vivido por José Mayer. Na série inteira, para mim, a melhor atriz é a Malu Vale que faz o
papel de Dona Julia, mulher do Coronel Firmino. Aquela cara de boba, de mulher
casada abestalhada, é genial. O pior? É o bonitinho Paulo Nigro, o "Tavinho", que só não é mais ruim
porque é um só. Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos, Guarda, como uma caixa derradeira, O passado da Flora Brasileira E a paleontologia dos Carvalhos! ... (O Veho Tamarindo, de Augusto dos Anjos) Em viagem aventurosa pelo interior, integrando a Expedição Terra da Gente Paraíba, como assistente não-oficial do fotógrafo Guy Joseph, estive em Sapé, na atual Usina Santa Helena, antigo Engenho Paud'Arco, morada do poeta. Não ha mais casa, não há mais nada: somente o Velho Tamarindo de Augusto repousa lá, à beira da água, nos fundos da casa, guardando seus segredos e visões. Depois de ficar ali um tempo, embaixo daquela "caixa derradeira", procurando sentir a sombra do poeta que ele vaticinou ficar ali após sua morte, colhi uma pequena muda.
Está agora na minha varanda, brincando no sol, podada sempre para não crescer
de mais porque como danado poderia criar um portentoso pé de tamarindo numa
varanda minúscula, no oitavo andar de um prédio? Aos poucos, está virando
um bonsai, pequeno demais para a alma do poeta. Mas quem sabe um fragmento
dela não vai vir de vez em quando adejar sobre a minha morada? BOOM IMOBILIÁRIO Vejo nos jornais de domingo os comentários do grande boom imobiliário que está sendo esperado na cidade de João Pessoa para os próximos meses. É resort pra cá, é condomínio fechado pra lá, tudo com dinheiro estrangeiro e nome em inglês e complicado como convém aos empreendimentos tupiniquins. Também se fala com animadíssima expectativa sobre a vinda do turismo, principalmente dos turistas estrangeiros. E eu me lembro de que Natal era há quinze anos o que João Pessoa é hoje: um paraíso pra se viver. Faço as contas e penso que ainda tenho entre cinco a sete anos pra morar aqui, antes que esses tais "booms" e turistas tornem a cidade inabitável. Aí, o único jeito será ir morar na minha querida
Coxixola. CÉU DE SUELY É o premiado filme brasileiro que está em cartaz no MAG Shopping, com direção de Karim Aïnouz. A atriz paraibana Zezita Matos ganhou por este trabalho o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival Internacional de Brasília está no elenco, que conta ainda com outra participação especial: a da também paraibana Marcélia Cartaxo. Karim Aïnouz dirigiu o premiado "Madame Satã" e foi co-roteirista dos filmes "Abril Despedaçado" (Walter Salles, 2001), "Cidade Baixa" (Sérgio Machado, 2004) e "Cinema, Aspirinas e Urubus" (Marcelo Gomes, 2004). O roteiro é de Mauricio Zacharias, Felipe Bragança e Karim Aïnouz. A direção de arte é de Marcos Pedroso. O filme marca a estréia de Hermila Guedes como protagonista. Não vi o filme e não confio nas sinopses distribuídas pela imprensa. Mas com
duas paraibanas no elenco vale a pena dar uma chegadinha e ver a película. CARLOS ARANHA CITA WALFREDO RODRIGUEZ Carlos Aranha fez, no último fim de semana, em sua coluna “Essas Coisas”, mais que uma justa homenagem ao grande fotógrafo Walfredo Rodriguez, autor do célebre “Roteiro Sentimental de uma Cidade”. O texto é um banho de história e informações sobre quem soube valorizar a nossa capital perpetuando-a com magistrais registros históricos e fotográficos.
O livro é maravilhoso, parelha "soul-mate" de outro
"Descobrindo a Cidade de João Pessoa", do médico e escritor Manoel Jaime Xavier
Filho, que comentarei em breve na minha coluna d' A União. ROMANCE É o título do filme é de Guel Arraes, com Wagner Moura, Leticia Sabatella, Andréa Beltrão, José Wilker e Marcos Nanini, que começa a ser filmado nos serrotes de Cabaceiras no dia 8 de fevereiro. A equipe fica por lá até o dia 17. Vão sofrer muito no calor, coitados, que nessa época faz até bode ficar suado, naquelas terras pedregosas, àsperas e de uma tão grandiosa e rude beleza. Deve ser essa beleza plástica que arrastou esse monte de gente do Sul-Maravilha pra filmar nesses confins. Ou então pegaram o Governo do estado num momento bom, antes de serem fechadas as torneiras para financiamento de eventos. Vai ser uma oportunidade para eu reencontrar meu amigo Bito Cavalcante, de Natal, que agora é ligado à parte técnica da maioria desses filmes brasileiros feitos ultimamente, mexendo com os microfones. Apareça, Bito, pra tomar um chá de madressilva na minha varanda com vista para o mar de Cabo Branco.
JÁ SEI NAMORAR? Lendo a coluna do advogado e professor de Direito Dr. Rodrigo Toscano de Brito, no jornal O NORTE, onde ele faz um discussão interessantíssima sobre os direitos civis que poderiam - ou podem - ser gerados por um simples namoro, aprendi que hoje em dia há quatro formas de relação: o casamento, a união estável entre um homem e uma mulher (a antiga "amigação"), a união civil entre pessoas do mesmo sexo (que alguns tribunais já reconhecem) e o namoro. O prof. Rodrigo simula interessantes situações, as quais vejo acontecer muito na prática, do cara que tem uma "união estável", ou seja, vive junto com alguém, e depois arranja uma namorada. Continuando com as duas durante algum tempo, como fazer se ambas começam cobrar direitos a pensão, e a provarem que adquiriram bens conjuntamente? Para evitar essa confusão, o Dr. Rodrigo recomenda a manter somente uma relação de cada vez! E é tão interessante a discussão que ele faz sobre isto, à luz das recentes modificações do Código Civil, que eu sugiro aqui um tema para que ele o discuta em outra coluna: a denominação "mulher honesta", que parece que caiu em desuso depois do novo código. SUSHI-CHEESE
Saudável, pouco gordurosa, pouco engordativa, aos poucos venho notando uma mudança sutil na composição daquelas preciosas construções culinárias. O caso é que o famigerado "cream-cheese", cujo uso era restrito apenas ao sushi do tipo "Filadelfia", agora invade todo tipo de sushi, tornando a comida japonesa toda com uma cara só. Meu restaurante predileto é o Sushi-Bessa, onde o sushi-man Marco, com quem já conversei sobre isso, concorda comigo e se dispõe a preparar a iguaria sem o cream-cheese, sendo bastante a solicitação dos clientes. Disse-me ele que a gordurosa e mortífera pasta caiu no gosto da
freguesia, e os restaurantes precisam se adaptar às exigências do mercado. Ele,
como purista, não concorda, mas tem de fazer como a maioria quer e prefere. ESTOU... ...
OUVINDO a barulheira da
vizinhança: pagode, forró baixo nível, axé e Roberto Carlos. ... é
só!
A QUEM INTERESSAR POSSA O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e anárquico como este. Se não
quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade
continua a mesma.
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