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CARO LEITOR Esse meu organismo é mesmo muito pervertido. Imaginem vocês que se eu beber leite ou suco de laranja, passo tão mal que às vezes é preciso ir ao pronto socorro. O leite me dá uma distensão abdominal fora do comum, e o suco de laranja me deixa com gastrite. Já coca-cola me faz um bem enorme, e nunca tive nenhum problema gástrico ou de qualquer tipo após ingerir o precioso líquido cuja fórmula é o mais bem guardado segredo do ocidente. Aí, padecendo há bem um mês de uma crise de sinusite, com o lado esquerdo do rosto todo dolorido, a narina obstruída totalmente há semanas e uma sensação de peso constante na cabeça, cheguei em São Paulo no dia 10 e o ar poluído e seco da cidade funciona como uma verdadeira bênção! Desde que cheguei que a dor de cabeça passou, acabou-se o peso e a obstrução, e as generosas doses de oxigênio - junto com fumaça de carros e outras porcarias - que tenho aspirado sofregamente pelas duas narinas, ambas agora completamente abertas e permeáveis, melhoraram de tal forma a minha qualidade de vida que vou permanecer por aqui mais alguns dias. Então, nesses dias venho me dedicando às atividades culturais e tenho desfrutado da companhia dos amigos e - repito - da maravilhosa atmosfera que as minhas pervertidas e viciosas cavidades paranasais aceitaram com tanto prazer. Respirar é viver!
CENPEC Nesta viagem a Sampa, cumpri uma tarefa profissional, trabalhando na comissão de avaliadores do Prêmio Cultura Viva. O pessoal do CENPEC, que organiza o Prêmio, muito legal como sempre, faz com que a gente sempre queira estar fazendo esse trabalho. Já é o segundo ano que participo. Na foto, algumas pessoas envolvidas com o trabalho. Ao meu lado o maravilhoso Douglas, do Cenpec.
LINDO DEMAIS!
Uma das coisas mais bonitas da capital paulista são as casas antigas, algumas delas muito bem conservadas. O casarão da Rua Pirapitingüi, número 111, na Liberdade (foto) construído em 1891, foi a residência de Ramos de Azevedo e de sua família por várias décadas. Engenheiro e arquiteto com atuação em São Paulo, entre os séculos XIX e XX, ele projetou e executou obras como o Teatro Municipal, o Edifício dos Correios e Telégrafos, e o Mercado Municipal, além de centenas de palacetes, escolas e hospitais. Em 1983, o imóvel foi doado à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, à Cruzada Pró-Infância e à Fundação Antônio Prudente. Dois anos depois, foi tombado pelo Condephaat e pela Prefeitura, ficando desocupado até 1988, quando a Global Editora o adquiriu e vem empreendendo a sua cuidadosa restauração. Foi lá que fui encontrar o jornalista Guilherme Loureiro, assessor de imprensa da editora e meu amigo desde a primeira Bienal do Livro de Natal em 2002. Entre um sushi e outro num restaurante das proximidades, trocamos figurinhas e consolidamos mais ainda nossa amizade, neste terceiro encontro presencial ao longo de cinco anos de amizade virtual. UMA CAMINHADA NA VILA No sábado, depois que me desvencilhei de um monte de coisas fui até a Livraria da Vila encontrar uns amigos, mas cheguei tarde e não achei mais ninguém. Mas é sempre bom caminhar pelas calçadas da Vila Madalena, subindo a Fradique Coutinho, onde fico hospedada, e descendo pela Morato Coelho. Lojinhas descoladas, brechós (onde comprei um casaquinho marrom da Le Lis por dezenove reais, e novinho!), livrarias, bares, restaurantes, gente bonita e o prazer de andar à vontade, sem hora pra chegar e sem compromisso. No caminho, entro na loja da Picadilly, toda dedicada aos maravilhosos - e baratos - sapatos desta griffe, delícia dos meus pequenos pés estropiados pelo peso dos meus pecados culinários.
Grafitti na Rua Belmiro Braga, Vila Madalena. O UMAS & OUTRAS PAUTANDO PARA O MUNDO! O Umas & Outras, este trêfego e saltitante boletim, já pauta a grande imprensa nacional. A Revista de História da Biblioteca Nacional, deste mês de outubro pegou o gancho e repercutiu a denúncia, entrevistando ainda Daniel Duarte, do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri. Veja, na página 8, com direito à maravilhosa foto, também reproduzida.
NOVAMENTE A CAETANA A Caetana levou Paulo Autran nesta semana, deixando ainda mais pobre a cena teatral brasileira. Não contente com Paulo Autran, carregou também Alberto da Cunha Melo, o doce poeta de olhos mansos e fala de balanço de rede. Vai-se Alberto, mas ficam conosco eternamente seus versos:
"Poema nenhum, nunca mais, (Casa Vazia, de Alberto da Cunha Melo) NÃO SE LÊ NESSE PAÍS? Essa é a poeta Márcia Maia quem me manda do Recife:
"Na fila, a multidão se espremia. Cansadas, as
catracas rangiam quase se opondo à passagem das pessoas. Dentro fazia calor.
Fora, chovia. Dentro, entremeado de estantes, livros em labirinto. Sonhos
ofertados a preços módicos e aos montes. Gente passando, gente querendo, gente
comprando. Não se lê nesse país, dizem os intelectuais. Não se lê nesse país,
afirma a mídia. Não se lê nesse país? ela pensa. E o que dizer da multidão a
se espremer ali, uma semana inteira e, ainda mais nessa tarde, em pleno
feriado, numa feira cuja única atração são os livros?"
LIVRARIA CULTURA, SP
CINEMA EM SAMPA Caro como o diabo! Paguei 19 reais por uma entrada no domingo à noite num dos cinemas da Avenida Paulista. Mas compensa: o conforto, a projeção espetacular, o som perfeito, e o silêncio da platéia, lotada de gente educada, sem o bestialismo presente em todas as sessões dos nossos cinemas de Parahyba, Rio Grande e Pernambuco, onde todo mundo conversa alto, atende celular e comenta o filme aos berros. Paguei dezenove paus, mas saí satisfeita. O flme? Ah, sim: Stardust, uma fantasia baseada na obra de Neil Gaiman, com surpreendente direção de arte, e estrelada por Michelle Pfeiffer, Claire Danes, Robert De Niro e Peter O'Toole. Um verdadeiro barato visual, com alguns pecadilhos de roteiro, perdoáveis em obra tão bela visualmente.
SÓ ACHANDO GRAÇA! Sabe qual é o inquilino mais infeliz do mundo? O espermatozóide! Mora na casa do cacete, com milhões de irmãos; o apartamento é um ovo, o prédio é um saco, os vizinhos da frente são uns pentelhos e o que mora atrás só faz merda. O pior de tudo é o proprietário, que quando fica duro bota todo mundo pra fora! (Colhido na Internet) PORTA-RETRATOS
Poeira e Branquinho, os gatos paulistas de minha irmã Inês Tavares, em pose especial para o Umas & Outras. ESTOU... ...
COMENDO
bolo de nozes.
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E POR HOJE... A QUEM INTERESSAR POSSA O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e anárquico como este. Se não quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade continua a mesma. Clotilde Tavares João Pessoa - PB clonews@digi.com.br |
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