UMAS & OUTRAS
Escrito e enviado por Clotilde Tavares
5 de agosto
de 2007 - Domingo
EDIÇÃO ESPECIAL
Direto do Cariri Paraibano


Clique AQUI se não estiver vendo as imagens.


CARO LEITOR,

Eu sou uma mulher feliz. Feliz demais porque não perco o juízo com o que me aconteceu ontem: escrevi todo esse número especial deste famigerado boletim, tendo ficado faltando somente as fotos, que iria acrescentar hoje, e enviar para vocês.

Aí, quando abro hoje o arquivo para anexar as fotos, onde está o texto? Onde, meu caro leitor? O texto foi pro espaço. O arquivo estava em branco. Como nunca cometo esse tipo de engano, estou pensando que a redação do Umas & Outras foi sabotada na calada da noite por uma pessoinha de dois anos, olhos azuis e fralda descartável, que descobriu onde fica o botão de desligar do notebook.

Minha sobrinha-neta, Maria Eduarda, que já fez esse número umas duas vezes na minha presença, deve ter realizado mais uma vez a proeza. A tia coruja, sem outra solução, ofereceu um bônus em dinheiro, caixas de uísque e perfumes paraguaios à equipe do Umas & Outras que, estimulada pelas propinas, engoliu o estresse e escreveu tudo de novo.


FOI O SEGUINTE

Neste domingo, enquanto a cidade da Parahyba comemorava a padroeira Nossa Senhora das Neves (que não sei como não derrete toda nesse clima tropical) eu me larguei para o Cariri Paraibano, mais precisamente para a Vila Federal de Cabaceiras, a convite de Daniel Duarte Pereira Sabiá, fundador, animador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri.

Lá, naquelas vastidões, pisando o chão sagrado dos meus antepassados, experimentei fortes emoções. Lembranças, saudades, insights nostálgicos; mas também idéias, desafios, e janelas e cortinas a se abrirem sobre o trabalho que estou fazendo agora.

O motivo da viagem foi uma sessão especial do Instituto; e lá me fui, em boas companhias.


O TRAJETO

A partir de Campina Grande, a bordo de um valoroso Fiat Uno, fui com Geraldo Melo (do Branco do Brasil, irmão dos meus bons amigos Paulo de Tarso e Bartolomeu Correia de Melo, de Natal) e Ronaldo Alexandre (do Sebo O Cata-Livros).

A primeira passagem foi por Queimadas-PB, onde o solo pedregoso, cheios de estranhas formações rochosas sempre me faz pensar nos caprichos da divindade, quando criou aquela natureza tão out of control.


Queimadas-PB

Depois, chegamos a Boqueirão, onde está o Açude que dá de beber a Campina Grande.

É um mundo de água que não acaba mais e o site do DNOCS diz que o lago formado pelo represamento do rio Paraíba cobre uma área de 2.680 ha, acumulando um volume de 535.680.000 m3 oferecendo um potencial energético de 2.300 CV. A sua bacia hidrográfica cobre  uma área de 12.410 km2 .

Além de ser um despotismo de água, a paisagem é lindíssima!


Açude de Boqueirão-PB

Depois do açude, a cidade de Boqueirão, antiga vila do Carnoió, com a serra do mesmo nome a guardá-la, lotadinha de história, já era povoação em 1680, sendo a porta de entrada para a colonização do Cariri

 


Boqueirão-PB

Mas domingo em todo o Brasil é dia de futebol, e a galera estava lá, com seus uniformes coloridos, a disputar uma partida. Parecia um quadro de Dona Irene, que a pobreza do meu talento fotográfico aliada ao dia nublado não conseguiu captar.


Domingo é dia de pelada.


A VILA FEDERAL DE CABACEIRAS

A 70 km de Campina Grande, Cabaceiras tem história. Por ser berço de gente ilustre, por ter um clima seco e saudável, onde no século XIX as pessoas iam se curar de doenças respiratórias, pelo orgulho que as pessoas tem do seu passado cheio de tradição ou por ser a "Roliúde Nordestina", palco de filmagens como o Auto da Compadecida, tudo é motivo para estimular o orgulho dos seus habitantes.


Capela particular de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

 


Antigo Paço Municipal


O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRAFICO DO CARIRI

No mundo tem muita gente doida, graças a Deus.

Daniel Duarte Pereira Sabiá é uma dessas pessoas loucas de pedra, que acreditam que há espaço para a cultura, a história e a tradição neste país, onde os jornais dão o maior destaque a louras autografando revistas masculinas nas livrarias enquanto escritores de verdades não merecem sequer uma menção no rodapé da página.


Daniel Duarte Pereira Sabiá

Apois - como se diz lá no meu interior - Daniel resolveu criar o Instituto Histórico e Geográfico do Carri, direcionado para essa região tão especial da minha Paraíba adorada. E criou, e faz reuniões, e sessões, que são intinerantes, ora aqui ora acolá, que nem essa à qual compareci ontem na Vila Federal de Cabaceiras.

Daniel me convidou para essa reunião, e como nossos antepassados Sabiá e Santa Cruz já pelearam juntos na Guerra do Doze, achei por bem que poderíamos pelear novamente, ombro a ombro, na Batalha da Cultura.

Muita gente importante estava por lá. As autoridades municipais, escritores, artistas, representantes de diversas entidades e organizações.


Da esquerda para a direita: vereador Paulo Ayres, vereador José Marcos de Lima (presidente da Câmara Municipal), Drª Regina Motta Rocha (presidente do IPHAEP), Padre Antonio Nelson da Silva (chanceler da Diocese de Campina Grande), historiador Mário Araújo, o prefeito Ricardo Ayres, Daniel Duarte Pereira Sabiá (presidente do IHGC), Dom Genival Saraiva de França (Bispo de Palmares), historiador Balduíno Lélis (vice-presidente do IHGC), Dr. José Eulâmpio Duarte (Coordenador do 2º CAOP/MP), Dr. Agnello Amorim (Promotor Público) e Dr. Leidson Farias (advogado).


Uma reunião irrepreensível, bem organizada, que se foi longa é porque assim o são essas reuniões, mas cheia de vida, de agitação, de coisas acontecendo, como a assinatura do protocolo de intenções para o Tombamento e Preservação dos Patrimônios Material e Imaterial do Cariri Paraibano, do qual foram signatários o IPHAEP, o Ministerio Público, a Diocese de Campina Grande e o próprio instituto.


Autoridades posam após a assinatura do protocolo.

Depois de palestras, assinaturas de protocolos e outros babados, Daniel Sabiá vestiu gibão, perneiras, peitoral e alpercatas e veio receber o título de Cidadão de Cabaceiras a ele outorgado pela Câmara Municipal. Em seguida, e ainda envergando as primorosas vestes, entregou diplomas de sócios-honorários do IHGC a um monte de gente, incluindo esta locutora que vos tecla, título esse que já mandei botar na moldura pra pendurar na parede. 

No final, a maravilhosa Socorro Lira usou do microfone para cantar, à capela, um pequeno trecho de sua música, povoando a manhã com suas notas claras e diáfanas, azuis como o céu do Cariri.


UMA FIGURA DO PASSADO

Ao passar por mim, o Revdmo. Bispo Dom Genival Saraiva me cumprimentou, sorriu, e perguntou se eu ainda era muito danada. Pensei que ele havia me confundido com outra pessoa. Ao chegar em casa, foi que me lembrei: era o Padre Genival! O Padre Genival, da minha adolescência, do Colégio Pio XI! Tão simpático, divertido, bem intencionado, a lidar com um monte de adolescentes terríveis, das quais eu era a pior! Deus que me perdoe!


SAUDADE GÁSTRICA

No almoço, quando comecei a comer aquele feijão com farofa de cuscuz, a carne de bode assada... ah, meu caro leitor! Fiquei com os olhinhos cheios de água me lembrando da comida de Mamãe, caririzeira de Coxixola.


OS AMIGOS

Foi bom encontrar Mário Araújo, Marinho Araújo, Virgílio Brasileiro. E conhecer: Xico Nóbrega, Celeide Farias, Geraldo Melo.


E FINALMENTE

O Instituto Histórico e Geográfico do Cariri é uma iniciativa que, no mínimo, contribui para movimentar a vida cultural da região. Toda aquele território, culturalmente tão rico, cheia de tradição e, principalmente, de muitas histórias que ainda precisam ser contadas, com uma realidade própria, pode encontrar no Instituto um canal adequado para o encaminhamento da sua produção artística e cultural e para desenvolver nos jovens o gosto por esses temas.

Ontem vi lá muita gente jovem, rapazes e moças, entusiasmados, participando, ali motivados pelo trabalho desenvolvido por Daniel Duarte Pereira Sabiá, e que podem dar continuidade e multiplicar essas ações.

Vida é movimento. E o Cariri ontem estava mais vivo do que nunca.


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E POR HOJE...
... é só!


A QUEM INTERESSAR POSSA

 O Umas & Outras é um informativo mais ou menos semanal enviado para cerca de 800 assinantes, principalmente do Rio Grande do Norte e Paraíba, mas que atinge também pessoas em outras cidades e outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal.

Surgiu em novembro de 1999 e de lá para cá teve algumas interrupções, motivadas sempre por aperto na agenda da professora Clotilde Tavares, escriba deste saltitante boletim. Por isso a sua periodicidade sofre eventuais atropelos, que consideramos inerentes a um periódico independente, gratuito e anárquico como este.

Se não quiser receber mais o Boletim escreva, que lhe tiro da lista e a amizade continua a mesma. 


Clotilde Tavares
João Pessoa - PB 
clonews@digi.com.br